ATBP na EGN

Encerramento do CEMOS-2002
Palavras finais




Rio de Janeiro, em 5 de dezembro de 2002

"Turma CEMOS 2002, Guarnecer Detalhe Especial para o Mar!

Sinalaria, Manobra. Atopetar a flâmula de fim de comissão!

Proa, passar a espia I!

Um apito longo!"

É chegado o esperado momento da atracação. Quão profícua singradura! Mergulhando no passado próximo, façamos uma breve digressão. Foram grandes os esforços despendidos: prontificação de equipamentos, verificações administrativas diversas, alinhamentos de sensores, "basin trial" de máquinas, adestramentos da tripulação em fase I e ...os dias dos testes finais, da inspeção. Fase II conquistada e, por fim, a aprovação no Exame de Seleção. Fase III. Navio pronto. Fazíamo-nos ao mar.

Sucederam-se as travessias. Bonanças alternaram-se com mares por vezes bravios. Mas a tripulação era intrépida. Aliás, dizem velhos marinheiros, os ensinamentos muitas vezes nascem nas calmarias, mas é nas tempestades que maturam. E assim, paulatinamente, acompanhando a trilha do tempo, vinham as lições. As disciplinas, ordenadas tais como navios em "FORM F", iam desfilando, apresentando-se em postos de continência ao capitânia. Perfilavam-se, em formatura, maiúsculos conceitos doutrinários: de emprego dos componentes dos Poderes Naval e Marítimo, com seus fundamentos e aspectos essenciais, conjunturais e prospectivos; de Estratégia Militar e de planejamento no nível operacional, com vinculações aos níveis político-estratégico e tático; de Administração, Economia, Logística, Direito, Inteligência, Política e Relações Internacionais; de Liderança, a arte de conquistar pelo exemplo e chefiar pela persuasão; e de Operações Navais e de Fuzileiros Navais. Nos problemas de guerra estas últimas eram metodizadas pela fabulosa ferramenta do Processo do Planejamento Militar (PPM), verdadeiro binóculo do oficial de quarto, permitindo-o enxergar além no exame da situação, melhor preparar a diretiva e ajustar permanentemente o rumo no controle da ação planejada. Desta forma, navegavam as idéias ordenadamente no canal, dispostas em organizada coluna.

"Manobra, Combate. Ruídos de Forças Azuis e Vermelhas pela proa!".

"Manobra, Vigilância. Forças no visual !".

Já era possível então perceber a dificuldade inerente à coordenação de Forças no teatro de operações, ao atendimento aos requisitos do Direito Internacional e à interação entre os diversos níveis de condução dos conflitos.

"Geral de manobra, preparar para receber aeronave. Luz verde no convôo!" Pousavam a bordo renomados mestres e conferencistas. Em palestras e simpósios apresentavam valiosos conhecimentos e ricas experiências que, igualmente, somavam- se ao legado que então nos enriquecia.

E assim prosseguia o barco, engalanado pela luz do saber e, com timão firme, sendo governado com a proa voltada para o cumprimento da missão. As máquinas passam a atender ao telégrafo de manobra. Gaivotas já prenunciam terra segura. É momento de reconhecimento e reflexão.
Com honra e satisfação ora externamos nossa gratidão a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para o sucesso desta Comissão. Ao Excelentíssimo Sr.Diretor, Comandante desta belonave, à sua Oficialidade e guarnição, nossos sinceros agradecimentos. Auguramos continuado êxito nesta sublime tarefa de conduzir Cursos de Altos-Estudos Militares. É oportuno extemar especial reconhecimento aos Senhores Encarregados do Curso e da Turma pela dedicação extremada e orientação permanente, bem como aos Senhores Instrutores, pela excelência no mister de transmitir, com entusiasmo e retidão, valorosos ensinamentos.

O legado absorvido, tenham a certeza, será indelével instrumento para o exercício, que já se avizinha, de funções de Estado-Maior e de assessoria de alto nível. O efeito sinérgico do conhecimento aqui adquirido potencializará nossas responsabilidades nos próximos cargos e funções da carreira naval e, assim desejamos, otimizará nosso desempenho profissional. O futuro certamente testemunhará, na aplicação prática desta bagagem, sua inconteste validade. Privilegiado é aquele que consegue, fruto de seu preparo, exigência dos tempos modernos, efetuar o exame abreviado da situação para decidir com simplicidade, firmeza e celeridade, ou mesmo para bem assessorar seus chefes. Afinal, como sugeriram antigos filósofos, é desejável que na paz os homens das armas se preparem para a guerra; e na guerra, que se preparem para a paz.

Por fim, do fonoclama ecoam palavras de congraçamento entre nós, Oficiais- Alunos. Falemos então de nosso espírito de grupo. Não é este um dos mais importantes preceitos de Liderança? Parabéns, companheiros, pelo êxito no fim da jornada. A união tomou superáveis os momentos mais atrozes de postos de combate, afastou derelitos e abriu o horizonte do sucesso. A Marinha, sempre magnânima e sábia, proporcionou-nos, neste ano, não somente incorporar riquíssimo legado, mas, também, a oportunidade ímpar de renovar a estima e estreitar laços de companheirismo entre antigos camaradas, bem como de cultivar sincera amizade e admiração por amigos de Marinhas irmãs.

No portaló ouve-se o comando de "boys aos cabos". É chegada a hora da despedida.

Passada a prancha de boreste. No desembarque, avulta em nosso peito a sensação do dever acadêmico cumprido. Na mente, compartimento da razão, é clara a compreensão de que muito teremos que fazer. A responsabilidade nos convoca. E ousamos afirmar que estamos prontos.

Hora de saudarmos o barco. Perfilados, já ao cais, agora encontramo-nos em posição de sentido.

"TURMA CEMOS 2002, em honra à Escola... em continência... UM!".

CARLOS EDUARDO DE MOURA RAMALHO
Capitão-de-Corveta
Orador da Turma
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